Catarina de Medici com Henrique II em 1533

Catarina de Medici com Henrique II em 1533

Símbolo de nobreza, mistério e da união do destino de duas pessoas, o bolo de casamento faz parte das celebrações a séculos, mas nem sempre foi o grande foco do evento e frequentemente se apresentava nos mais diversos formatos.

Os primeiros bolos de casamento que se tem registro pareciam pães e quase todos em formato de pássaro. Eles eram flambados nas cerimônias para exorcizar os maus espíritos e, da fatia que cabia ao noivo, uma parte ele comia e a outra esfarelava na cabeça da noiva, simbolizando não só o rompimento de sua virgindade como domínio do homem sobre a mulher. Essas migalhas então disputadas pelos convidados eram símbolo de boa sorte – como os bem-casados atualmente.

Na Grécia antiga, com a evolução da confeitaria, os bolos de casamento ganharam novas formas e novos ingredientes: farinha, frutas secas, mel, nozes e queijos. Na Roma, durante o confarreatio (forma solene e indissolúvel de casamento) os noivos botavam sal na boca para despertar a sabedoria (tão necessária no casamento) e serviam o panis farreus (em latim), um pão feito com espelta (um tipo de trigo).

Na Idade Média os convidados homenageavam os noivos levando para a festa pequenos bolos que logo passaram a empilhar, afim de formar um único bolo. Surgindo assim, meio que por acaso, o bolo em andares, então oficializado no casamento de Catarina de Medici com Henrique II em 1533. Nesse tempo do Renascimento a importância da festa era medida pelo tamanho dos detalhes que tivesse no bolo, convertido em uma verdadeira obra de arquitetura, engenharia e arte.

1858  Princess Victoria ‘Vicky’ (Queen Victoria’s oldest child) and Crown Prince Frederick William ‘Fritz’ of Prussia

Bolo do casamento da Princesa Victoria e do Príncipe Fritz da Prussia em 1858.

Com o passar do tempo o bolo continuou mantendo sua nobreza, já não com as cores fortes de antes – como vermelho, azul e verde – mas com o branco, o símbolo da pureza e virgindade. Como também passou a ser branco, imitando a cor desses bolos, o vestido da noiva, no caso por conta da rainha Victoria – que usou em seu casamento, vestido de cetim branco decorado com as mesmas flores que decoravam seu bolo e um véu que lhe cobria a cabeça, no lugar da coroa.

Princesa Victoria e Principe Albert , 1840

Princesa Victoria e Princípe Albert, 1840 – Pintura de S Reynolds e F Lock – Hulton Archive – fonte: Getty images

O corte do bolo também é cheio de simbolismos. Originalmente o bolo deveria ser repartido entre os convidados e servido apenas pela noiva, garantindo sua fertilidade. Com o aumento do número de convidados e do tamanho do bolo o noivo passou a auxiliar a noiva na tarefa, até que antes de distribuírem o bolo, cortavam e comiam juntos o primeiro pedaço, representando a união e promessa de sempre permanecerem um ao lado do outro.

14th November 1947:  Mr Schur, chief confectioner at McVitie and Price, putting the final touches to the wedding cake of Princess Elizabeth and The Prince Philip, Duke of Edinburgh. The cake has four tiers and is nine feet high.  (Photo by J. A. Hampton/Topical Press Agency/Getty Images)

1947: O chef confeiteiro colocando os últimos detalhes no bolo da princesa Elizabeth e do príncipe Philip, duque de Edinburgh. (foto de J. A. Hampton/Topical Press Agency/Getty Images)

No Brasil os bolos de casamento têm preparos diferentes – dependendo da região. Em Pernambuco e outros estados do Nordeste, uma massa escura à base de vinho, ameixa, passa e frutas cristalizadas é a base da maioria dos bolos de noiva – herança dos ingleses que se estabeleceram na região no início do século XIX.

Hoje os noivas estão muito mais audaciosos e livres para escolher cores, sabores e o estilo que mais lhe agrada. Versões de bolos sem cobertura, com design moderno, bolos divertidos ou totalmente descaracterizados, com flores em açúcar, naturais – não importa! A regra é escolher um bolo que represente o gosto, o bolso e principalmente a personalidade do casal.

E assim se conta, ao menos resumidamente, a história dos bolos de casamento – que perdurarão por muitos séculos mais, ao menos enquanto existir amor, um pouco de poesia e tradição.

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O famoso bolo do Príncipe William e de Kate Middleton. fonte: People magazine

Superstições do bolo de casamento

O bolo de casamento é cercado de superstições!

Para as madrinhas e damas de honra que sonham em se casar, basta guardar um pedaço do bolo de casamento embaixo do travesseiro para sonhar com o futuro marido.

Outra opção para as moças ansiosas, tradição no Sul dos Estados Unidos, é puxar uma das fitas fincadas no bolo da noiva. Em uma dessas fitas há uma aliança amarrada; aquela que encontrar a aliança será a próxima a se casar.

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fonte: http://fuccisphotos.com/

Já na antiguidade, aqueles que comessem uma fatia de bolo teriam boa sorte, já que o bolo de casamento simboliza felicidade e uma vida plena aos noivos. Hoje esse simbolismo foi passado ao bem-casado, distribuído como lembrança aos convidados da mesma maneira que a noiva distribuía as fatias de seu bolo de casamento.

Na idade medieval, quando os bolos passaram a ser empilhados, os noivos compartilhavam um beijo apaixonado diante dos bolos para garantir fertilidade e boa sorte. Depois, no século XVIII os casais guardavam o bolo até seu primeiro aniversário afim de evitar problemas futuros no casamento, razão pela qual os bolos nessa época eram mais secos e feitos de frutas embebidas em vinho.

 

 

Referências

Cavalcani, Lecticia. Bolo de Casamento. Revista Gosto, maio 2011.

People magazine.The royal´s. Disponível em: http://www.people.com/people/package/gallery/0,,20395222_20481400_20944121,00.html. Acesso em 19 de maio de 2015.

REAL, Àngel. La familia y el matrimonio. Disponível em: http://es.slideshare.net/Ainoaim/la-famlia-i-el-matrimoni-pp-castell. Acesso em 03 de maio de 215.

Royal Wedding Cakes and a Power Surge. Disponível em http://clarasdesignercakes.com/2009/05/royal-wedding-cakes-and-a-power-surge/. Acesso em 03 de maio de 2015.

Wilson, Carol. Wedding Cake: A Slice of History. Gastronomica: The Journal of Food and Culture. Disponível em: http://www.gastronomica.org/wedding-cake-a-slice-history/. Acesso em 03 de maio de 2015.

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2 Comments

  1. Fernanda

    Muito interessante história, adorei! Aliás o site todo é maravilhoso, Parabéns! 😉

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    1. Joyce Galvão (Post author)

      É demais né? Como a história vai se modificando ao longo dos tempo mas mesmo assim continua com uma conexão com o passado!

      Obrigada por visitar o Essência e pelo carinho!

      beijos

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