Mané é quem confunde com Manuê! | A lenda do bolo Mané Pelado

“Gostei do bolo, é de mandioca né? Mas o nome… Não tem nome melhor não?”

Responsabilidade de nossos colonizadores portugueses, aproveitaram os produtos da nossa terra com seus nobres ingredientes, criando uma mistura de culturas que resultou em receitas que, ao longo dos séculos, ganharam toques de mãos inventivas, e sobreviveram ao tempo.

Dizem que o bolo Mané Pelado – um bolo de mandioca e coco ralado – tem origem portuguesa e uma série de lendas!

A primeira delas explica que o Mané, por puro exibicionismo, ou até mesmo loucura, colhia mandioca pelado. Outros dizem que era por conta do calor, ou para não sujar a roupa de terra.

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Outro causo conta que o Mané andava de olho em uma vizinha que morava sozinha, e fazia muitas propostas indecorosas para a moça. No dia do aniversário do Mané, afim de se vingar, convidou toda a família do rapaz e, dizendo ser uma festa surpresa, escondeu o povo todo no  seu quarto. Quando o capiau chegou, avisou que iria até o quarto se arrumar e assim que estivesse pronta o chamaria. Depois de um tempo lá foi o Mané, PELADO, no quarto em que sua família o aguardava com um bolo de aipim para cantar os parabéns.

Não foi por culpa dos portugueses, mas o bolo Mané Pelado acabou virando bolo de mandioca com coco, bolo de macaxeira, ou aipim… coisas do Brasil. Deixamos o Mané pra lá, o pelado pros bolos da moda – naked cake – e resolvemos inovar. Ai, o pobre do Mané deixou de ser lenda, de ser bolo e virou o bolo da Cleuza, da avó Maria…

Fazer o que, o nome não é muito apreciado pelo brasileiro – imagine só chegar em um restaurante e pedir: “Garçom, um Mané Pelado, por favor!”. E apresentar para gringo? De jeito nenhum!

Aqui e acolá damos um jeitinho, adaptamos um pouquinho, tirando e colocando um “toquinho” pessoal. No fim, a receita original se perde – dizem que era até assada na folha de bananeira. Quem hoje faz bolo na folha de bananeira? Mas o mundo muda, inova de hora em hora, e talvez, nada mais correto do que nos debruçarmos em nossas tradições e inventar coisas novas. Mas para isso, precisamos saber das nossas origens.

O Mané é feito com mandioca ralada, tem aparência desleixada (rústica, como hoje gostamos de dizer) e por tamanha simplicidade, as texturas estão todas lá misturadas aos sabores frescos, que explodem na boca. O bolo, é um puro deleite!

Há quem utilize o leite de coco na receita, outros, preferem o leite de vaca mesmo. De Minas, tradição nas festas juninas, utiliza-se o queijo Canastra, misturado com um pouco de coalho e até substituído pelo queijo serro. Em Goiás, onde o bolo também tem sua tradição dos tempos de colônia, o queijo meia cura é o rei da preparação – depois da mandioca, claro.

Minha mãe é mineira, provei o bolo pela primeira vez em Minas – e o queijo Canastra, que lutou tanto para hoje poder ser distribuído pelo Brasil – depois de tanta burocracia – merece seu destaque, então, eu defendo o uso dele. Não pode trocar não… para mim, é o melhor queijo para esse bolo! Agora, o bolo do Mané é o bolo da Joyce!

Eu gosto de espremer a mandioca, retirar um pouco do amido que por vezes deixa o bolo muito firme. Ralo ela grossa, para dar textura; mas há quem prefira ela fininha, e o bolo fica parecendo um pudim de tão cremoso, quase um pernambucano Manuê.

É, não tem jeito. Receitas são assim, nascem de uma história, por vezes apenas de uma lenda, e dão asas à imaginação de qualquer um que goste de se aventurar em uma cozinha! Gostoso mesmo é comer o bolo, contar um causo, rir à toa. Só não pode confundir o bolo do Mané com o bolo do Manuê.

Você sabe né?

Referências

Araxá põe a mesa. 1982

LOPES. J. A. Dias. De enrubescer até Mané Pelado. O Estado de São Paulo: São Paulo. 21 de junho de 2012. Caderno Paladar.

 

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1 Comment

  1. Socorro Santos

    Adorei Joyce
    Essa receita é muito pratica.
    Espero ter mais vídeos

    Beijos

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