Umbu, Imbu, Ambu ou Giqui é um fruto nativo da região semi árida do Nordeste (mas que floresce também em vegetação de caatinga do Ceará até o norte de Minas) cultivado domesticamente em pomares e colhidas manualmente. A safra que vai de janeiro a abril rende frutos de polpa suculenta, rica em vitamina C e sem fibras, com um sabor doce levemente acidulado (mas muito agradável) e muito aromática  – é consumido in natura mas também em sucos, sorvetes e na típica umbuzada.

O umbu, também conhecido por Imbu (os nomes provêm do termo tupi im´bu – ou y-mb-u – que significa árvore que dá de beber) não deve ser confundido com o umbu-cajá (planta do cruzamento natural de umbu com cajá), apesar da semelhança com o nome são diferentes em sabor e formato. O umbu é redondo, de tamanhos variados, com casca verde (ou amarela quando maduro) e de polpa macia.

Chamada de árvore sagrada do sertão (vive mais ou menos 100 anos) por Euclides da Cunha, a raiz do umbuzeiro produz grandes tubérculos capazes de armazenar até 3000 litros de água durante a estação de chuvas, de modo que pode resistir a longos períodos de seca, além de serem utilizadas como alimento pelo homem. Além do fruto e raízes as folhas, de grande valor nutricional, possuem um sabor levemente azedo e também são utilizadas como alimento.

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” A arvore sagrada do sertão. Sócia fiel das rápidas horas felizes e longos dias amargos dos vaqueiros. Representa o mais frizante exemplo de adaptação da flora sertaneja. Foi, talvez, de talhe mais alentado e alto — e veio descaindo, pouco a pouco, numa intercadencia de estios flamivomos e invernos torrenciais, modificando-se à feição do meio, desinvoluindo, até se preparar para a resistência e reagindo, por fim, desafiando as secas duradouras, sustentando-se nas quadras miseráveis mercê da energia vital que economisa nas estações benéficas, das reservas guardadas em grande copia nas raízes.”

[Euclides da Cunha, Os Sertões]

Hoje o Umbu é reconhecido como Fortaleza do Slow Food recebendo apoio para desenvolver projetos em prol da qualidade dos produtos realizados a partir do Umbu e manter as tradições e conhecimentos tradicionais envolvidos no seu processamento.

Além disso, todos os anos conta com o Festival Regional do Umbu, em Uauá, na Bahia, que proporciona visibilidade para os trabalhos desenvolvidos pela cooperativa Coopercuc e atua como um espaço de aproximação das pessoas, instituições e associações, com autoridades do estado. O festival acontece todos os anos no fim da safra do umbu. Para mais informações, clique aqui para se direcionar ao site da Coopercuc e conhecer mais sobre o evento.

Para quem adora colocar uma sementinha de fruta na terra, é possível plantar o umbu através das sementes do fruto fresco, desde que guardadas por um período de 6 meses. Porém, se quiser acelerar o processo é preciso tratar a semente, deixando-a de molho em uma parte de adubo para três partes de água por até 12 horas, e então só em água por mais 24 horas.

O umbu pode ser usado com enxerto em cavalo de cajá, seriguela, umbu-cajá, cajarana, cajá-manga, umbuguela. Isso possibilita o cultivo dessas plantas que não são adaptadas às características da caatinga como o umbu.

 Para receitas com umbu clique aqui.

Referências

AGROECOLOGIA EM REDE. O umbuzeiro: uma fruta aproximando a pesquisa da agricultura familiar. Disponível em: <http://www.agroecologiaemrede.org.br/experiencias.php?experiencia=349>. Acesso em 25 de janeiro, 2015.

BIBLIOTECA  BRASILIANA. Os sertões. Disponível em: http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/00451800#page/5/mode/1up. Acesso em 23 de janeiro, 2015.

CUNHA, Euclides. Os sertões: campanha de Canudos. Livreiros editora. Rio de Janeiro, 1905.

GLOBO RURAL. Umbu orgânico melhora a vida no sertão da Bahia. Reportagem de maio de 2010. Disponível em: http://vimeo.com/13720104. Acesso em 23 de janeiro de 2015.

LORENZI, Harri et al. FRUTAS BRASILEIRAS e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2006.

SLOW FOOD BRASIL. Fortaleza do Umbu. Disponível em: http://www.slowfoodbrasil.com/fortalezas/fortalezas-no-brasil/42-fortaleza-do-umbu. Acess em 23 de janeiro de 2015.

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