Ana Clóris o sabor provocativo do Nordeste

Ela trocou a seriedade do Direito pela doçura confeitaria, e mergulhou de cabeça no mundo dos macarons e entrementes. Às vezes precisamos nos perder para encontrar a nossa verdadeira vocação, e foi assim que Ana Clóris, após uma viagem para a Austrália, decidiu abrir a Anita Pâtisserie e encantar toda a Paraíba com seus macarons de sabores provocativos e entremets, pensados e executados com muita precisão! Os doces podem ter influencia francesa, mas tem o sabor puro e provocativo do Nordeste! 

Hoje, além de ser reconhecida como uma das melhores confeiteiras (e confeitarias) em João Pessoa, é parada obrigatória para quem visita a cidade!

O segredo para o sucesso, no fundo, não é segredo: pesquisa, dedicação e amor aliados a uma porção generosa de disciplina, são ingredientes fundamentais!

Conheça um pouco mais sobre a profissional que abriu as portas para a alta confeitaria em João Pessoa. Com vocês, com açúcar e muito afeto: Ana Clóris.

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Ana, conta um pouquinho como começou sua vida na confeitaria? De onde surgiu a paixão pela profissão?

Sempre gostei muito da cozinha, mas acabei fazendo Direito. Acreditava que a cozinha era apenas um hobby. O desejo de mudar de profissão veio só depois de passar na prova a OAB. Na época só tinha curso de Gastronomia em São Paulo e decidir ir morar fora, na Austrália. Foi meu primeiro contato com alta Confeitaria, aqui as docerias são bem tradicionais. Logo que cheguei em Brisbane me apaixonei pelas confeitarias, foi amor a primeira vista, me encontrei ali como se já soubesse disso a vida toda.

Em plena Paraíba você vem desenvolvendo uma confeitaria com base puramente europeia. Como você adequa isso aos produtos regionais?

A maior dificuldade são os insumos, também tive dificuldade porque muita gente estava acostumada com ir a doceria e achar pudim, brigadeiro, mousse de maracujá, coisas mais tradicionais – que eu amo – mas não era minha proposta. Hoje o cliente já entende que temos um conceito diferente e isso é bem aceito.

Me lembro a primeira vez que fiz macaron de lavanda, acreditava que ninguém iria provar, acabou sendo um dos mais vendidos por um bom tempo.

Eu tive um professor francês que foi morar na Austrália sem falar nada de inglês, e quando perguntei como ele conseguiu ele dizia “uma batata é uma batata em qualquer lugar do mundo e eu não preciso falar pra fazer meu trabalho”. A maior dificuldade são os insumos. Gosto de ver o cliente provar algo novo.

Por que decidiu focar nos macarons?

Tenho um caso longo de amor com macarons, fomos pioneiros na cidade e isso foi o que primeiro chamou atenção dos clientes, hoje temos focos nos entremets, mas os macarons são sem duvida nosso carro chefe.

Quando morei na Austrália fiquei encantando com o trabalho do Adriano Zumbo (com quem acabei estagiando) e ele tem um trabalho lindo com macarons. Em Paris fiz uma peregrinação nas pâtisseries, é mágico ver como macarons de um mesmo sabor tem resultados tão diferentes! Os melhores na minha opinião são Pierre Hermé, o sabor mogador (maracujá com chocolate) e caramelo com flor de sal são meus favoritos.

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Você já desenvolveu mais de 175 sabores e utiliza bastante os ingredientes regionais. Quais os mais audaciosos na sua opinião?

Eu gosto muito de cajá, e não é uma fruta fácil de se trabalhar, foi o sabor que me deu mais trabalho. Os sabores salgados que transformados em doces sempre chocam, já fiz catchup, mostarda, wasabi, gorgonzola, bacon. Quindim e Açaí também fizeram bastante sucesso.

E o maior segredo para não errar a mão na hora de fazer macarons?

O primeiro passo é uma boa farinha de amêndoa, outro fator importante é o forno e muita paciência, macaron é um produto que tem que ser feito com calma!

Qual a sua maior paixão dentro da confeitaria? Um doce que você não imagina viver sem e por quê?

Eu amo quindim, é meu sabor de infância. Os macarons são os doces que me definem, porque neles viajo na criação dos sabores e cores.

Confira a playlist que faz a chef balangandar na cozinha!

O que e quem te inspira para criar, desenvolver sua assinatura dentro da confeitaria?

Uma forma, um sabor ou até um perfume, tudo isso trás lembranças ou despertam alguma coisa. Gosto muito dos sabores que temos aqui como jabuticaba, cajá, pitanga, caju, porque cresci comendo essas frutas, acho que esses sabores tem que ser valorizados por nós confeiteiros.

E como se dá seu processo criativo? Quando aquela luzinha brilhante e mágica acende no topo da sua cabeça e te faz ir correndo para a cozinha?

Leio muito, meio que me disciplinei a ter um tempo todo dia para pesquisa.

Eu tenho várias cadernetas (na bolsa, na mesa de cabeceira e uma na mesa do escritório), quando acende a luzinha é anotando. Depois vem o planejamento de como executar, os elementos, ingredientes, amo esse processo!

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Agora responda com uma palavra ou frase. A primeira que surgir na sua cabeça! 

Um sabor: cajá
Uma lembrança: vovó Nana fazendo bolos e eu ajudando
Minha maior vitória foi: Anita, minha confeitaria
Um objetivo não realizado (ainda): um livro sobre doces de família
Uma frustração: quem nunca se perdeu no caminho?…rs
A Ana é: “Meu alegre coração é triste como um camelo. É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão” (Geraldo Azevedo)

Ana, obrigada pela entrevista, pela atenção. Desejo muito mais sucesso, prosperidade e mais um tanto de sabores novos inusitados de macarons!

Eu quem agradeço a oportunidade de mostrar meu trabalho!

Quem quiser te encontrar pelas redes sociais, saber mais sobre sua confeitaria, quais os contatos?

No instagram: @anacloris e @anitapatisserie

No facebook: /patisserie.anita

Para quem quiser visitar:

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Avenida Pombal, número 1668

Manaíra (João Pessoa – PB)

doces anita

As tentadoras criações de Ana Clóris para a Anita pâtisserie

entrevista: Essência Studio

fotos: Salieri Lma

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