Lembro quando eu dava aula em universidades e ficava brava com meus alunos quando via um usando fouet para mexer cebola, outro para mexer um creme que deveria ficar bem lisinho e compacto, fouet para coçar a orelha…. tudo era fouet! (Queridos, se estiverem me lendo, sei que tirei um sorrisinho doce de uma lembrança boa ai do coração!)

Hoje penso que fouet virou uma arma na mão das pessoas, e assim como toda arma, muito mal usada. Por isso, além de entender as razões de se usar determinada farinha, as razões de acrescentar açúcar demais (ou de menos), e de outros ingredientes, é imprescindível compreender o arsenal de utensílios que hoje temos a nosso dispor.

São várias classes de fornos, vários tipos de sorveteiras, e facas? Meu Senhor Cristinho…. são tantas…

Por isso entre tantos fouets pelo mundo (e eu adoro essa diversidade para enriquecer minha coleção!) é preciso entender para que raios (ó bolas) criaram tantas opções!

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Bom, se você não sabe, fouet é a palavra francesa que define o famigerado batedor de arame que deixa qualquer maçaroca mais homogênea e lisa! Esse utensílio, as vezes desconhecido por algumas pessoas, é um senhorzinho de mais de 300 anos! De acordo com o dicionário Oxford a primeira descrição do uso de um batedor, referindo-se a um utensílio utilizado para aerar um alimento, veio em 1666 e foi utilizado para descrever o método de transformação do ovo, de sua forma naturalmente viscosa, para algo mais líquido.

Sendo uma ferramenta de uso contínuo na cozinha, seu nascimento pode até ser datado de muito mais tempo atrás, mas como a brigada de cozinha era feita plenamente de analfabetos e escravos, não é possível encontrar registros em papel; nem de receitas, muito menos de utensílios. Acredita-se que o famigerado batedor era feito de galhos unidos e amarrados, e apesar da modernidade do aço inox, o formato praticamente permaneceu inalterado a partir dos protótipos originais.

Embora existam outros métodos mais fáceis e rápidos para aerar ovos ou fazer um chantili, o batedor de arame é muito mais que uma simples ferramenta de aeração. Ele é útil pra fazer molhos, emulsões, misturas e tornar tudo muito mais homogêneo quando se comparado à nossa querida (e adorada) colher de pau!

Para entender um pouco melhor o funcionamento do batedor de arame, vamos nos munir de um garfo e mexer uma clara até aera-la! Antes mesmo de começar já podemos sentir nossos braços cansados de tantos minutos que vamos ter que trabalhar! Mas se nos munirmos de dois garfos e juntá-los com um elástico… talvez assim o trabalho fique mais fácil e seja mais rápido! E se então exagerarmos na dose e juntarmos logo oito garfos? Agora sim o trabalho vai ser bem mais rápido, concorda?

Logo é isso que o batedor de arame faz, com todos aqueles fios retorcidos e unidos em um cabo ele é a união da força de vários garfos, ou de várias colheres de pau em um único utensílio, tornando-se por isso, indispensável na cozinha!

Se você ainda não tem um batedor é preciso saber escolher entre tantos modelos e materiais diferentes, e para você não se perder no momento da sua escolha, abaixo indico os três modelos mais conhecidos!

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Existem basicamente três estilos de batedores: francês, balão (ou bola) e plano. O mais comum e que eu particularmente prefiro é o batedor francês. Com o formato parecido ao de uma lágrima é um batedor para todos os fins e mais adequado para bater cremes, fazer emulsões, chantili e claras em neve. Existe a opção com bolinhas na ponta, que também é adequado para a mesma função do batedor francês, com a eficiência de alcançar aquele cantinho que quase nenhum outro fouet alcançaria.

O batedor plano é como se tivesse sido achatado, e é muito bom para quando precisamos chegar no cantinho de uma panela. Pode ser facilmente comparado ao mesmo uso de um garfo – só que com um pouco mais de charme! – logo, não é o mais indicado para quando precisamos aerar uma mistura. Ele é utilizado mais na cozinha quente para o preparo de molhos, ou seja, quando é necessário manter um mistura em movimento.

O batedor balão (ou bola) por sua vez tem o formato de uma bola na ponta, tem a mesma função do batedor francês, mas pelo seu formato é muito mais difícil alcançar as laterais de uma tigela ou panela com ele, e segundo alguns chefs, é o melhor para a função de aerar misturas.

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Outras opções com silicone podem ser utilizados naquelas panelas que não queremos riscar por nada nesse mundo, mas os fios rompem rapidamente e o tempo de vida acaba sendo muito curto. Caso você se encante pelas cores desse tipo de fouet, prefira aqueles que possuem os fios de arame encapados com o silicone; são mais resistentes e firmes para uso.

Além das diferenças em formatos, você encontra fouets nos mais diversos tamanhos e “graus de firmeza” (será que posso definir assim?). Por isso nada de xingar o fabricante se você decidiu mexer uma massa super pesada com um fouet pequenininho e mole, e ele acabou quebrando. Para isso, os mais robustos e compridos são uma mão na roda e vão facilitar muito mais o seu trabalho.

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Agora com seu fouet preferido em punho, para a cozinha! E com a cabeça cheia de conhecimento!

fotos: Essência Studio  

 

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